Um ataque por um enxame de abelhas pode provocar consequências que vão além das reações imediatas causadas pelas ferroadas. Em casos com grande quantidade de picadas, o veneno pode atingir diferentes órgãos e provocar lesões musculares, alterações cardíacas e problemas renais que, dependendo da gravidade, podem exigir acompanhamento médico mesmo depois da alta hospitalar.Segundo o nefrologista Augusto Cesar Soares dos Santos Junior, chefe do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), algumas complicações podem aparecer ou ser identificadas horas depois do ataque, mesmo quando os sinais na pele começam a melhorar. Entre os possíveis efeitos estão lesão muscular, destruição de hemácias, queda da pressão arterial e lesão dos rins.Nos casos mais graves, também podem ocorrer reação alérgica intensa, alterações da pressão e do funcionamento do coração, lesão muscular importante, hemólise e lesão renal aguda. O fígado e o sistema de coagulação também podem ser afetados. Em situações extremas, vários órgãos podem apresentar comprometimento simultaneamente.O coração também pode sofrer os efeitos do envenenamento. De acordo com o especialista, múltiplas picadas podem, embora raramente, provocar queda acentuada da pressão, arritmias, espasmo das artérias coronárias e lesão do músculo cardíaco. Há casos descritos de infarto após ataques de abelhas, associados tanto a mecanismos relacionados à reação alérgica quanto aos efeitos do próprio veneno. Pessoas com doenças cardiovasculares prévias podem apresentar maior risco de complicações.O número de picadas, porém, não é o único fator que determina a gravidade de uma reação. Em casos de anafilaxia, uma única picada pode ser suficiente para desencadear uma reação grave em uma pessoa previamente sensibilizada. Nesse tipo de situação, a intensidade da resposta está relacionada à reação do organismo ao veneno e não necessariamente à quantidade de ferroadas.Apesar dos possíveis efeitos, o nefrologista explica que a maior parte das complicações decorrentes do envenenamento ocorre nas primeiras horas ou nos primeiros dias após o ataque. Não é habitual que uma nova complicação diretamente relacionada ao veneno surja pela primeira vez meses depois.O que pode levar mais tempo é a recuperação de um órgão que tenha sido afetado durante o episódio. Uma lesão renal, por exemplo, pode levar semanas ou até meses para se recuperar completamente, dependendo da gravidade do quadro inicial.Por isso, pessoas que sofreram ataques graves e precisaram de internação ou apresentaram alterações renais, musculares ou cardíacas podem precisar de acompanhamento médico após a alta. A necessidade desse monitoramento deve ser definida individualmente, de acordo com a gravidade do episódio e a evolução do paciente.Um dos casos recentes que chamaram atenção para os riscos de um ataque com grande quantidade de ferroadas é o de Safira Emanuele Gomes dos Santos Rosa, de 12 anos. A adolescente recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (21), depois de passar uma semana internada no Centro Materno Infantil de Contagem.Safira foi atacada por um enxame de abelhas em frente a uma escola de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo estimativa da família, ela sofreu mais de 100 ferroadas, principalmente no rosto, pescoço e cabeça.A alta foi confirmada durante uma entrada ao vivo da RECORD Minas, diretamente do hospital. A menina apareceu ao lado da médica, já com a mochila pronta para deixar a unidade e retornar para casa.Segundo a mãe, os exames apresentaram resultados positivos e os médicos informaram que a menina não corria mais risco de arritmia cardíaca ou insuficiência renal em decorrência do ataque.Safira foi atacada na tarde de segunda-feira (14), por volta das 13h, em frente à Escola Encontro com a Infância, no bairro Jardim Montreal, em Ibirité. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma colmeia teria caído de uma árvore próxima à entrada da instituição, na Rua Flor de Liz.Com a queda, as abelhas se dispersaram e atingiram crianças e pedestres que passavam pela região. Safira estava acompanhada do avô, de 79 anos, e da irmã mais nova, de oito, quando foi cercada pelos insetos.Imagens registradas por testemunhas mostram o momento em que o motociclista Vinícius Martins de Paulo interrompeu o trajeto para tentar socorrer a menina. Ele tentou colocá-la na motocicleta, mas não conseguiu. Depois, utilizou um desodorante que guardava no baú do veículo na tentativa de afastar as abelhas e conduziu Safira até a escola, onde funcionários e moradores ajudaram no socorro.“Ela estava no cantinho, em pé, sozinha, parada, chorando”, contou o motociclista à RECORD Minas.Vinícius também foi atacado e sofreu cerca de 40 ferroadas. A diretora da escola, Fernanda Vieira de Araújo, recebeu aproximadamente 10 picadas enquanto tentava socorrer a irmã de Safira. Os dois precisaram de atendimento hospitalar e foram medicados.Após o ataque, Safira foi levada inicialmente para a UPA de Sarzedo e, posteriormente, transferida para o Centro Materno Infantil de Contagem, onde permaneceu internada no CTI pediátrico.Durante a internação, a adolescente passou por exames e permaneceu sob acompanhamento médico devido aos riscos associados à grande quantidade de veneno recebida.Ao reencontrar a filha após o ataque, Luciene relatou o impacto causado pelo inchaço provocado pelas ferroadas. Segundo ela, Safira estava “bastante inchada, bem diferente da que eu conheço, quase parecendo outra menina”.Com a evolução do quadro clínico e a melhora dos resultados dos exames, a adolescente recebeu alta nesta segunda-feira (21), uma semana após o ataque, e pôde retornar para casa.*Estagiária sob supervisão de Cler SantosFique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












