Para Guilherme Mazieiro, desafio das campanhas é converter o voto indefinido

2 out 2026 - 00h52

(atualizado às 01h02)

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- Por: Maria Luiza Valeriano

Debate na TV Globo cancelado , no Projac , zona oeste do Rio de Janeiro

Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O debate presidencial da TV Globo marcado para esta quinta-feira, 1º, foi foco de polêmica. Após uma sequência de decisões judiciais envolvendo a participação de candidatos e as regras do programa, a emissora cancelou o encontro, que seria o último debate antes do primeiro turno, marcado para domingo, 4.

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Para Guilherme Mazieiro, consultor executivo da Oficina Consultoria, o episódio se tornou excepcional justamente pela ausência do programa. "Os debates presidenciais são acontecimentos que sempre têm a possibilidade de se tornar um fato histórico. E o debate da Globo desse ano, de 2026, se tornou um fato histórico justamente porque ele não aconteceu", afirmou.

A avaliação ocorre após uma série de mudanças no cenário do debate. Lula (PT) havia decidido não participar do encontro. Na quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Globo não exibisse de forma destacada o púlpito destinado ao presidente e também proibiu perguntas dirigidas ao candidato ausente.

Na sequência, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a participação de Renan Santos (Missão), alterando novamente a composição do debate. Diante disso, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria do programa. A Globo, então, anunciou o cancelamento, citando insegurança jurídica provocada pelas decisões tomadas horas antes da transmissão.

Prejuízo para o eleitor
Na avaliação de Mazieiro, a primeira consequência do cancelamento é para o eleitor, que perdeu a oportunidade de acompanhar um confronto direto entre os candidatos. Para o analista, a ausência do debate ocorre em uma campanha marcada por confrontos e por um ambiente de forte polarização. Segundo ele, há "poucas propostas colocadas" em uma disputa na qual os eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro seguem como grupos bastante consolidados.
"É um ambiente muito conflagrado, de muita vulnerabilidade à exposição de autoridades políticas. Isso contaminou o debate eleitoral, a corrida eleitoral, se refletiu também no debate da Globo", afirmou.
Estratégias diferentes para Lula e Flávio
Apesar da perda para o eleitor, Mazieiro avalia que a decisão de Lula de não participar do debate pode ser entendida dentro da estratégia de comunicação da campanha. O presidente participou, no mesmo horário, de uma entrevista ao Flow Podcast.
Para o consultor, a escolha retirou Lula de um ambiente no qual poderia se tornar alvo dos demais concorrentes. "Lula teve uma boa percepção de não ir ao debate, mesmo com esse prejuízo para o eleitor, porque ele sai de uma vitrine que ele seria alvo de todos os adversários", afirmou.
Na avaliação de Mazieiro, a participação no podcast também permitiu ao presidente alcançar um público diferente daquele de um debate tradicional. Ele considera que o formato ofereceu um ambiente mais confortável para Lula apresentar suas propostas, ainda que tenha recebido perguntas consideradas incômodas pelo analista.
Já para Flávio Bolsonaro, a situação teria sido diferente. Segundo Mazieiro, a entrada de Renan Santos criou um cenário particularmente delicado para Flávio porque os dois disputam parte do mesmo eleitorado.
"Então tinha uma expectativa do Renan Santos avançar para cima do Flávio", afirmou.
Para o analista, Flávio acabou perdendo a oportunidade de utilizar a exposição da Globo para apresentar suas propostas. Após o cancelamento, o senador realizou uma transmissão ao vivo com aliados.
Debate tradicional perde espaço
O episódio também levanta, segundo Mazieiro, uma discussão sobre a comunicação das camapanhas. "Os modelos de debate precisam ser repensados. Tem novos canais de comunicação, para além das lives, dos debates, da propaganda eleitoral. É importante hoje o que se diz e como essa mensagem chega para os eleitores", afirmou.
"Os recortes das lives do Flávio, do Lula, a repercussão na imprensa, do não acontecimento do debate, tudo isso também vai ser super determinante, mais até do que as lives e o debate, para ajudar o eleitor a decidir seu voto", disse.
"O desafio das campanhas é fazer a militância votar e, principalmente, esse eleitor indeciso, ele tomar partido de um dos candidatos e ir votar", afirmou.
Fonte: Portal Terra
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