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Diogo Dantas

Bastidores dos clubes e da seleção brasileira e notícias do mercado da bola
Entidade debateu o tema desde a Copa do Mundo e mobilizou formadores e observadores para dar mais espaço a jovens e encontrar talentos
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Zé Lucas, do Cruzeiro, com a seleção sub-20 — Foto: Divulgação
A mobilização da CBF para resgatar a formação de talentos no futebol brasileiro partiu de uma discussão dentro da seleção e da entidade após a Copa do Mundo, e chegou aos clubes. O debate interno deu conta de que a renovação nas categorias inferiores do Brasil teve uma queda de qualidade e precisaria de novos incentivos. A partir daí chegou-se à conclusão de que reduzir o número de estrangeiros seria uma das medidas para fomentar o uso da base. A decisão gerou receio.
Mas a teoria é que os clubes serão incentivados a formar jogadores melhores para eles mesmos e para as seleções brasileiras, de olho no ciclo até 2030, com uma Olimpíada no meio do caminho. Na CBF, a visão considerou toda a cadeia do futebol brasileiro. Ou seja, com jovens tendo mais espaço nos clubes, naturalmente poderiam ser melhor trabalhados nas bases das seleções. Na lista da seleção sub-20 que joga amistosos em setembro, o Shakhtar Donetsk da Ucrânia é o clube com mais jogadores convocados, quatro. Palmeiras e São Paulo são os brasileiros com mais atletas, três cada.
Garimpo de talentos
A CBF entende que tem limitação na ação junto aos clubes e tenta fazer sua parte em outras frentes. Investiu na estrutura de base da seleção e em observadores. Além de rodarem o Brasil, os profissionais agora vão viajar também ao exterior para detectar brasileiros com potencial de servirem à seleção nacional e em risco de naturalização em outros países. A proposta apresentada pela CBF teve origem a partir de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores durante reuniões do Grupo de Trabalho da Base Brasileira, e foi aprovada pelos clubes e federações com dois votos contrários: Flamengo e Bahia.
“O futuro do futebol brasileiro começa na base, e a CBF está assumindo, com responsabilidade e visão de longo prazo, o compromisso de construir esse futuro com mais estrutura, mais proteção e mais oportunidades para todos”, ressaltou Helder Melillo, diretor executivo da CBF, na ocasião da criação do grupo. Em um primeiro momento, o grupo de trabalho se debruçou sobre um diagnóstico do formato das competições e dos ciclos formativos nas categorias de base masculinas e femininas.
A partir daí, o foco foi na integração entre o desenvolvimento esportivo e a formação educacional, a partir de normas para a reorganização do calendário, das faixas etárias e dos regulamentos existentes. Outro objetivo é definir critérios de infraestrutura e qualificação técnica, com foco no acompanhamento contínuo, na qualidade e na proteção dos jogadores, mas também no fortalecimento e desenvolvimento dos clubes formadores.
“O novo grupo de trabalho das categorias de base também terá como missão proteger e fortalecer os clubes formadores. São eles que estão na ponta do processo, cuidando diariamente dos jovens que podem, um dia, vestir a camisa da Seleção Brasileira. Queremos formar mais jogadores e mantê-los no Brasil por mais tempo. Para isso, precisamos garantir que esses clubes tenham condições reais de desenvolver talentos. Só protegendo os clubes formadores vamos conseguir proteger nossos atletas”, completou Helder.
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