A Paramount discutiu com o procurador-geral da Califórnia (EUA), Rob Bonta, uma série de possíveis concessões para tentar superar a oposição ao acordo de US$ 81 bilhões (cerca de R$ 437,4 bilhões) para comprar a Warner Bros. Discovery. Entre as medidas avaliadas está um investimento de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,1 bilhões) na produção audiovisual no estado.

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Segundo pessoas familiarizadas com as negociações em contato com o The Wall Street Journal, executivos da Paramount e uma coalizão de estados que processou a empresa para impedir a fusão passaram o fim de semana discutindo os detalhes de um possível acordo.

Caso seja fechado, o acordo abriria caminho para uma operação que colocaria HBO, CBS, CNN, serviços de streaming e tradicionais estúdios de cinema sob o controle de uma única empresa.

Paramount pode se comprometer a permanecer na Califórnia

- Além do investimento em produção, as partes discutiram uma promessa de não vender nenhum dos dois estúdios da empresa e de manter as operações na Califórnia. A Paramount havia estudado a possibilidade de deixar o Estado enquanto enfrentava oposição à fusão;

- Outra possibilidade envolve uma promessa anterior da companhia de produzir 30 filmes por ano após a conclusão da operação. As partes avaliaram possíveis penalidades caso a Paramount não cumpra esse compromisso;

- Uma das medidas consideradas seria obrigar a empresa a vender sua participação na Miramax, estúdio conhecido por filmes, como “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Pulp Fiction”;

- As negociações também envolveram a possível venda de alguns canais de TV por assinatura e a criação de um conselho destinado a garantir a independência editorial da CNN;
- A criação desse conselho já vinha sendo discutida pela Paramount antes do processo. A independência da CNN se tornou um dos pontos de conflito político durante a tentativa do CEO da Paramount, David Ellison, de comprar a Warner;
- Ainda não existe um acordo definitivo, e não está claro quais termos serão efetivamente aceitos pelas partes.
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Empresa ameaça mudar de estado caso compra não seja aprovada; para evitar isso, negocia um investimento – Imagem: Tada Images/Shutterstock
Estados processaram para impedir a fusão
Ellison passou o último ano tentando comprar a Warner em uma megafusão que ampliaria seu império no setor de entretenimento. A operação, porém, enfrentou oposição de setores políticos e de Hollywood.
Em julho, 12 estados liderados por democratas, sob liderança do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, processaram para bloquear o negócio por motivos antitruste.
Segundo os estados, a combinação entre Paramount e Warner criaria uma concentração excessiva nos mercados de filmes para cinema e canais de televisão por assinatura.
A Writers Guild of America, sindicato que representa roteiristas, também processou contra a fusão. A entidade argumenta que o negócio eliminaria empregos e oportunidades de carreira para roteiristas de Hollywood.
Neste domingo (20), cerca de duas dezenas de manifestantes se reuniram em frente ao Elihu M. Harris State Office Building, no centro de Oakland (EUA), para protestar contra um possível acordo, segundo o Journal.
Com cartazes, como “Bonta Don’t You Dare” e “Block the Megamerger” (“Bonta, não se atreva” e “Barrem a Megafusão”), os manifestantes se revezaram em discursos pedindo que o procurador-geral continue pressionando no processo.
“Nada mudou desde que ele apresentou o caso”, disse Annie Leonard, cofundadora da organização sem fins lucrativos Committee for the First Amendment, que defende a liberdade de expressão. “Ele precisa continuar tão firme quanto estava ao apresentar o caso.”
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Pressão para chegar a um acordo
As duas partes passaram a sofrer pressão para resolver a disputa nos últimos meses. Entre os envolvidos estavam o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, o candidato a governador Xavier Becerra, grandes redes de cinemas e alguns sindicatos de trabalhadores de Hollywood.
O acordo da Paramount com a Warner também prevê uma “ticking fee”, mecanismo que estabelece pagamentos aos acionistas da Warner enquanto a operação não é concluída.
A partir do próximo mês, esses pagamentos seriam de aproximadamente US$ 650 milhões por trimestre (cerca de R$ 3,51 bilhões), ou US$ 7 milhões por dia (cerca de R$ 37,8 milhões), até o fechamento da transação.
A Paramount também pediu a um juiz federal que obrigasse os estados e a Writers Guild a apresentar uma garantia de quase US$ 1,9 bilhão (cerca de R$ 10,3 bilhões) para contestar a aquisição. O dinheiro seria destinado à empresa caso ela vença o processo.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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Tags: califórnia Paramount Warner Bros. Discovery


