O secretário-geral do Partido Democrata Europeu, Sandro Gozi, defendeu a soberania brasileira e criticou a atuação do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, no cenário político do país.Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (29/9), o deputado do Parlamento Europeu afirmou que a democracia brasileira não pode ser submetida a pressões estrangeiras e declarou que os brasileiros devem decidir o próprio futuro político.“O Brasil não é quintal de ninguém e a democracia brasileira não está à venda”, declarou.O político italiano afirmou que há uma combinação de pressão política de Washington, medidas econômicas e atuação de grupos ligados ao movimento MAGA, sigla para Make America Great Again, que, segundo ele, estariam interferindo na dinâmica democrática de outros países.Confira: Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por European Democratic Party (@europeandemocrats)A manifestação ocorre em meio ao aumento das críticas internacionais às ações do governo Trump em relação ao Brasil, às vésperas das eleições presidenciais de outubro de 2026. Na avaliação de Gozi, o uso de tarifas, intimidação política e articulação de campanhas por atores estrangeiros representa uma ameaça à autonomia das instituições democráticas.“Isso não se trata de defender Lula, nem de apoiar um candidato brasileiro em detrimento de outro. Trata-se de algo muito mais fundamental para nós: o direito dos brasileiros — e de qualquer povo — de decidir seu próprio futuro”, afirmou.Críticas a Trump e MileiNa publicação, Gozi também mencionou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que recentemente demonstrou preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.O dirigente europeu recuperou a declaração de Newsom sobre a tarifa de 50% imposta pelo governo americano a produtos brasileiros, chamada pelo governador de “tarifa Bolsonaro”. Em entrevista ao Metrópoles durante a Assembleia Geral da ONU, Newsom afirmou temer que Washington tentasse influenciar o processo eleitoral brasileiro.Gozi também citou o presidente da Argentina, Javier Milei, a quem acusou de se inserir diretamente no debate político brasileiro. Para o parlamentar, a participação de lideranças estrangeiras nas disputas eleitorais de outros países precisa ser observada sob a perspectiva da soberania nacional. Leia também BrasilAbin alerta governo Lula sobre interferência “crítica” dos EUA nas eleições MundoCongressistas dos EUA acusam Trump de interferência na eleição do Brasil Matheus LeitãoDeputado europeu teme interferência externa nas eleições brasileiras O político italiano ressaltou que instituições brasileiras já alertaram para o risco de interferência estrangeira nas eleições. No fim de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório que classificou a possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito brasileiro como de “nível de criticidade”.O texto cita documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que os objetivos do presidente norte-americano são a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.“Nenhuma democracia é verdadeiramente livre se potências estrangeiras tentam influenciar suas escolhas políticas por meio de pressão econômica, intimidação política ou coordenação de campanhas”, escreveu.Ao final da manifestação, Gozi reiterou o posicionamento do Partido Democrata Europeu em defesa da autonomia política brasileira. “Respeitem o Brasil, respeitem sua democracia e deixem que os brasileiros decidam”, concluiu.









