Na reta final da campanha presidencial, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apostam suas últimas fichas para atrair os eleitores. Enquanto o petista tenta se aproximar do público evangélico com o lançamento do canal “Cristãos com Lula 13”, o senador mudou o discurso e disse ser a favor do fim da escala 6×1.A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras do governo do PT. A campanha acredita que a possível aprovação da proposta pode dar um impulso para a mobilização de aliados nas redes sociais e nas ruas.O projeto põe fim na escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados por um de descanso) e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte de salário. Leia também BrasilFlávio recua, diz que vai ao debate da Band e provoca Lula: “Te espero” Blog do NoblatLula ironiza recuo de Flávio sobre redução de jornada de trabalho Brasil2º turno: abstenção nas eleições afeta mais Lula do que Flávio Bolsonaro Milena TeixeiraEmpresários veem “desespero” de Flávio ao apoiar fim da escala 6×1 Flávio já criticou a proposta publicamente. Em maio, ele classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e alegou que a redução da jornada poderia provocar desemprego e aumentar os custos das empresas.Nesta semana, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele mudou o discurso. O senador alegou que vai revisar a proposta e prometeu que, se eleito, o governo “pagará essa conta, porque os empresários estão quebrados”.A mudança ocorre após Flávio ter sido aconselhado por aliados a evitar “desgastes desnecessários” antes do segundo turno das eleições.Outra mudança de posicionamento na pauta econômica está no reajuste das aposentadorias acima da inflação. Em junho, o parlamentar disse que iria manter a medida. Após notícias sobre propostas de sua equipe econômica para limitar esse aumento à inflação, porém, voltou a prometer a manutenção dos ganhos reais.Flávio Bolsonaro também passou a reiterar que manterá o Bolsa Família e outros programas, negando que pretenda acabar com esses benefícios. Antes, era crítico às assistências sociais ofertadas pelo governo federal.Participação em debateO candidato do PL também mudou de posicionamento quanto à participação em debates de televisão. Nessa quarta-feira, ele afirmou que irá ao primeiro debate do segundo turno, promovido pela TV Band no próximo domingo (18/10). O presidente Lula já havia confirmado que participará do confronto e desafiou o adversário a encontrá-lo.Um dia antes, Flávio havia dito que não iria ao evento da emissora.“Não vou, não está previsto ir nesse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final será minha equipe técnica, de ir no último debate”, declarou, após um evento no comitê político do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).Lula também vai participar do debate pela primeira vez neste pleito.O chefe do Planalto e Flávio ainda mantêm incerteza sobre a participação no debate organizado pela TV Globo, que está marcado para 23 de outubro, às vésperas da votação.Ambos fugiram do confronto direto no primeiro turno. Como Lula terminou em desvantagem das urnas, sua campanha acabou adotando postura diferente para o turno decisivo da disputa.O cientista político Gustavo Ribeiro aponta que a disputa será acirrada até o fim.“Numa eleição decidida por pouco mais de 2 milhões de votos, a margem pode ser tudo. Lula aposta numa soma de pequenos movimentos, como o pacote para os MEIs, a 6×1 e os debates, e espera que cada um tire alguns votos de um grupo diferente”, ressalta.Para o cientista político Paulo Palhares, a mudança de postura dos dois candidatos será decidida por uma faixa estreita de eleitores, que não estão engajados com nenhum dos lados.“Entre eles, os que não votaram ou que não têm identificação com nenhum dos lados. Flávio mudou em temas como o fim da escala 6×1 e o caso de Nossa Senhora. Lula fez o movimento contrário. Aumentou o tom em relação ao opositor e endureceu o discurso sobre segurança pública. A aparente incoerência é comum numa campanha, especialmente uma focada nos meios digitais de comunicação com os eleitores”, diz.O que mudouFlávio Bolsonaro passou a defender fim da escala 6×1.Candidato do PL prometeu manter ganhos reais da aposentadoria.Negou que irá acabar com programas sociais.Informou que participará do primeiro debate no segundo turno.Lula passou a sinalizar para público evangélico.Petista também tem feito discursos para católicos.Candidato à reeleição decidiu aceitar convite para debate da Band.3 imagensFechar modal.1 de 3Presidente Lula tem feito acenos ao público religiosoRicardo Stuckert2 de 3Flávio Bolsonaro passou a se posicionar pelo fim da escala de trabalho 6x1Reprodução Metrópoles3 de 3Lula e Flávio Bolsonaro devem se enfrentar em debate do segundo turnoGetty ImagesPauta cristãO presidente Lula tem feito um esforço no segundo turno para se aproximar do público cristão. A campanha do petista divulgou, na tarde dessa quarta-feira, cartas direcionadas a evangélicos e católicos — com o objetivo de tentar reduzir a rejeição do candidato.No documento, ele diz que tem em comum com os evangélicos o fato de cuidar das famílias brasileiras. “Somente lares fortes podem produzir uma nação forte!”, afirma um trecho.“Guiado por Ele, estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos”, diz trecho.A pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta semana, mostra uma divisão do eleitorado religioso. Entre os católicos, o atual presidente aparece numericamente à frente, com 51% das intenções de voto, contra 44% do adversário.Entre os evangélicos, o cenário se inverte: Flávio registra 58%, enquanto Lula tem 32%. Outros 8% dizem votar em branco ou nulo e 3% não sabem ou não responderam.














