Uma estrutura de pedras com formas circulares, corredores e áreas retangulares, encontrada nas imagens do Google Earth, está intrigando arqueólogos nos Andes argentinos. Localizado na cordilheira do Tigre, na província de Mendoza, o conjunto pode ser um geoglifo de origem antiga, mas sua idade e finalidade ainda são desconhecidas.

Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes
Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes
Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A descoberta chamou a atenção de pesquisadores por suas características incomuns e pela localização remota, a mais de três mil metros de altitude. Uma das hipóteses investigadas é que o local tenha sido utilizado em cerimônias durante o período inca, embora os especialistas não descartem outras origens e funções.

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O estudo faz parte do projeto ArqueoAndes, colaboração entre pesquisadores da Argentina e da Espanha dedicada à investigação das transformações históricas da paisagem na alta montanha dos Andes.

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Montanhista levou quase 30 anos para encontrar a estrutura

Imagem da matéria: Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes
Imagem da matéria: Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- O responsável pela descoberta foi Carlos Gobbi, montanhista que há quase três décadas procurava possíveis sítios arqueológicos na região. Depois de ouvir relatos sobre antigas construções de pedras na cordilheira do Tigre, ele passou a examinar a área por meio do Google Earth;

Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes
Figura misteriosa encontrada no Google Earth intriga arqueólogos nos Andes · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- Em maio de 2025, Gobbi identificou nas imagens de satélite uma formação que despertou sua curiosidade. Chegar até ela, porém, foi um desafio. Ele tentou alcançar o local em setembro e novembro daquele ano, mas não conseguiu concluir as expedições;

- A primeira visita bem-sucedida ocorreu em 14 de fevereiro de 2026, quando Gobbi chegou à área acompanhado de Adrián Radich e Gabriel Orofino. A jornada levou quase quatro dias, em território sem água nas proximidades e sem sinal de telefone;

- No local, o grupo encontrou pedras empilhadas que formavam passagens, além de setores escavados e revestidos com rochas. Algumas estruturas estavam parcialmente enterradas, enquanto outras se elevavam acima do terreno;

- Ao retornar, o montanhista apresentou fotografias do achado às arqueólogas Cristina Prieto-Olavarría e Horacio Chiavazza, pesquisadores envolvidos no projeto. As imagens despertaram o interesse da equipe, mas não permitiram determinar quando a construção foi feita nem para que servia;

- Prieto-Olavarría e Chiavazza consideram o conjunto uma descoberta inédita para a arqueologia de Mendoza, justamente por não haver registros de estruturas semelhantes na região.

Seria um geoglifo como as Linhas de Nazca?

Vista de cima, a disposição das pedras forma uma figura que pode ser interpretada como um geoglifo. Esse termo é utilizado para descrever desenhos de grandes dimensões feitos diretamente no terreno, por meio de escavações ou da disposição de materiais, como pedras.

A comparação com as famosas Linhas de Nazca, no Peru, é inevitável. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que existem diferenças importantes entre as estruturas.

Enquanto os desenhos de Nazca foram produzidos principalmente por meio da remoção de pedras e da exposição do solo, o conjunto encontrado em Mendoza apresenta construções formadas pelo empilhamento de rochas e pela criação de corredores.

Por isso, a semelhança visual observada nas imagens de satélite não significa que as duas estruturas tenham a mesma origem, técnica de construção ou finalidade.

A classificação do achado argentino como geoglifo ainda precisa ser investigada. Os arqueólogos também não sabem se a formação foi construída em um único período ou se passou por modificações ao longo do tempo.

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Figura vista no Google Earth – Imagem: Reprodução/Google Earth

Construção pode ter relação com os incas

Uma das principais hipóteses é que a estrutura tenha sido utilizada durante o período inca, entre os séculos XV e XVI. A possibilidade é considerada porque os incas atribuíam importância religiosa a montanhas, caminhos e outros elementos da paisagem.

Nesse contexto, o local poderia ter desempenhado alguma função cerimonial ou simbólica. Ainda assim, não há evidências suficientes para confirmar essa interpretação.

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A localização também levanta dúvidas. A área é de difícil acesso e não possui fontes de água próximas, características que tornam menos provável uma ocupação residencial permanente.

Durante o primeiro reconhecimento, os exploradores não encontraram fragmentos de cerâmica nem restos de alimentos na superfície que indicassem a presença de uma comunidade vivendo continuamente no local.

Os pesquisadores consideram, portanto, a possibilidade de a estrutura ter servido como acampamento sazonal ou ter desempenhado diferentes funções ao longo de sua história. Também não descartam que a construção seja anterior ou posterior ao período inca.

A ausência de materiais arqueológicos na superfície, porém, não é suficiente para determinar a idade ou o uso do sítio. Essas questões dependerão de análises mais detalhadas.

Expedição em dezembro deve investigar o mistério

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Uma nova expedição está prevista para dezembro de 2026, com participação de pesquisadores argentinos e espanhóis. Gobbi deverá acompanhar a equipe como guia até o local.

O trabalho de campo pretende mapear a estrutura com drones e equipamentos de GPS de precisão, realizar escavações e coletar sedimentos para análises. Os dados poderão ajudar a estabelecer a idade da construção e reconstruir as condições ambientais da região durante os períodos em que ela pode ter sido utilizada.

A pesquisa integra o ArqueoAndes, que reúne especialistas do Instituto Argentino de Nivologia, Glaciologia e Ciências Ambientais, vinculado ao Conicet, da Universidade Nacional de Cuyo e da Universidade de Jaén, na Espanha.

Além de esclarecer a origem da estrutura, os pesquisadores pretendem compreender como as populações antigas ocupavam e atribuíam significado à paisagem montanhosa.

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O trabalho também deverá considerar a relação do patrimônio com as comunidades originárias da região de Uspallata. A investigação arqueológica precisa seguir procedimentos que preservem o local e evitem danos às estruturas encontradas.

Até que a expedição seja concluída e os resultados sejam analisados, a idade, a função e a possível ligação do conjunto com os incas continuarão em aberto. Por enquanto, o Google Earth foi o ponto de partida para uma investigação que pode revelar novos detalhes sobre a presença humana nos Andes.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Tags: Andes argentina Google Earth