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Capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do país nas últimas semanas

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Incêndios florestais no Amazonas flagrados durante sobrevoo dos ministros João Capobianco, de Meio Ambiente, e Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional — Foto: Divulgação / Rogério Cassimiro MMA
A fumaça que encobriu Manaus nas últimas semanas e que deixou a cidade com a pior qualidade de ar do Brasil foi transportada por correntes de vento que vieram desde o Pará. Simulações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Lasa/UFRJ) mostram as trajetórias de massas de ar desde o último dia 10 e os locais mais prováveis de origem da fuligem, oriunda de queimadas na região.
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Rotas para a fumaça — Foto: Editoria de Arte
A análise do Lasa UFRJ se baseou nas rotas do vento ocorridas e previstas entre os dias 10 e 15 de outubro. As simulações revelam que a fumaça veio de queimadas ao leste de Manaus, desde o Pará. Na área ao sul de Santarém, onde fica a Floresta Nacional do Tapajós e cidades como São Benedito e São José, a corrente de ar passa exatamente pel área de maior concentração de queimadas.
Já no Amazonas, a maior concentração está na Região Metropolitana de Manaus, em cidades como a Itacoatiara, Autazes, Careiro e Careiro da Várzea. As correntes de ar também passam por essa região, mostra o Lasa.
— Foi realizada uma análise de trajetórias de massas de ar com o objetivo de investigar a origem das massas de ar que alcançaram Manaus e identificar regiões que potencialmente contribuíram para o transporte de fumaça até a cidade. A análise buscou, portanto, avaliar a possibilidade de transporte atmosférico proveniente de regiões situadas a montante de Manaus e sua potencial contribuição para alterações na qualidade do ar local — explicou Renata Libonati, coordenadora do Lasa. — A distribuição espacial das trajetórias indica que as massas de ar que influenciaram Manaus podem ter percorrido áreas do Pará.
Somente a análise de trajetórias não é o suficiente para especificar os locais de origem da fumaça, frisa Libonati. Entretanto, o acréscimo das informações de ocorrência de queimadas ajuda a desvendar a rota.
— A combinação das trajetórias com informações sobre a ocorrência e localização dos focos de incêndio sugere que as regiões situadas a leste de Manaus apresentaram um elevado número de focos de incêndio no acumulado de sete dias anterior ao período analisado, sendo potencialmente relevantes como áreas de origem da fumaça transportada até Manaus.
Área queimada aumenta 249% em outubro
Desde o dia 10, portanto período analisado pelo Lasa, mais da metade (52,5%) dos 3644 focos de queimadas no Brasil aconteram somente no Pará (1188) e no Amazonas (726). De acordo com o sistema Alarmes, do Lasa, a área queimada no Amazonas em setembro foi 38,8% maior que a média histórica, passando de 209.651 para 291.060 hectares.
Em outubro, o aumento será muito maior. Pois, até aqui, a área queimada já soma 220,7 mil hectares, 249% maior que a média histórica do mês inteiro: 63,2 mil hectares. Pesquisadores apontam que a alta de fogo desde setembro já é o início do efeito do forte El Niño que está se formando. O fenômeno climático causa excesso de chuvas no Sul brasileiro e seca severa e ondas de calor no Norte.
Além disso, como houve poucas queimadas nos últimos dois anos no Brasil, há muito material combustível disponível, como folhas secas, nos terrenos, o que facilita a propagação de fogo, destacam especialistas.
Pior ar do Brasil
Desde a semana passada, Manaus vem registrando a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma internacional IQAir. Na quinta-feira (8), a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 200 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 22h, segundo a Defesa Civil municipal.
Já o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas, registrou um pico de 344,5 µg/m³ às 2h da madrugada de sexta-feira (9). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite recomendável de PM2.5 é uma concentração de 15 (µg/m³), na média de 24 horas.
Governo do Amazonas responde
Nessa segunda (12), o governo do Amazonas reuniu prefeitos dos municípios do interior do estado para tratar das demandas emergenciais e alinhar as estratégias de prevenção e combate às queimadas e de enfrentamento aos impactos da estiagem.
No domingo (11/10), os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes, e o governador Roberto Cidade sobrevoaram as áreas de queimadas e participaram de uma reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.
Procurado, o governo do Amazonas respondeu que a chamada Operação Tamoiotatá, de combate às queimadas, começou em 23 de fevereiro de 2026, antecipando as ações de campo para o período de estiagem e abrangendo 13 municípios. No dia 9 de setembro, decretos estaduais proibiram o uso do fogo por 120 dias e instituíram o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ), com medidas para reduzir o desmatamento, as queimadas e a degradação florestal, além de promover a recuperação ambiental e a conservação dos recursos naturais.
Entre 1º de junho e 12 de outubro, o Corpo de Bombeiros contabilizou 3.575 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 21.766 focos, sendo 4.532 na capital e 17.234 no interior.
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