A Estação Ferroviária da Central do Brasil de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, funcionou entre os anos de 1875 e 1975. Foi tombada como Patrimônio Cultural Ferroviário, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
História A Estrada de Ferro D. Pedro II foi autorizada em 1852 (a partir de 1889 passou a se chamar Estrada de Ferro Central do Brasil) e deveria parir do município da Corte, indo até pontos das províncias de Minas Gerais e São Paulo. Era parte da modernização promovida pelo Império. "No sentido São Paulo, os primeiros quilômetros começaram a ser inaugurados também em 1871, sendo as obras completadas até Cachoeira em 1875". Também em 1875 foi inaugurado o trecho até Juiz de Fora, ramal Linha do Centro. A cidade já existia desde o século XVIII, então a estrada de ferro foi um aspecto de crescimento econômico e populacional para o município.Ali chegaram trens de passageiros da Central e depois da RFFSA até 1996, quando o último deles, o chamado Xangai, foi extinto.
Arquitetura O primeiro edifício da estação era de madeira e precário. Logo foi construída uma edificação de médio porte, que passou a ser de primeira classe no final do século XIX, quando foi substituída. Tinha torre central e corpo rústico: fachadas em argamassa, com poucos detalhes estilísticos. O telhado era de duas águas e os beirais largos cobriam a plataforma. A atual estação foi construída em 1902, com um corpo proeminente na fachada, marcando a entrada com três pórticos, cobertos com cúpula de metal. Tinha torre do relógio, que tornava a estação uma referência na paisagem municipal. Em frente à estação existia a estação de Juiz de Fora da E. F. Leopoldina.
A Estrada de Ferro Central do Brasil A estação pertencia à Estrada de Ferro Central do Brasil, herdeira da Estrada de Ferro Dom Pedro II, considerada a primeira ferrovia e a espinha dorsal do sistema ferroviário do país. Seu primeiro trecho foi entregue em 1858, no Rio de Janeiro; a linha então subiu a serra das Araras, alcançou Barra do Piraí em 1864 e atingiu Juiz de Fora em 1875. A intenção, jamais plenamente concretizada, era prosseguir até o rio São Francisco — alcançado em Pirapora em 1910 — e, de lá, rumar para o norte do país, e, mais tarde, a linha foi prolongada até Monte Azul, em 1948, conectando-se à malha que levava trens até Salvador. Após passar a leste da futura Belo Horizonte e alcançar Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos chegaram a Pirapora; ao longo do trajeto havia mudança de bitola na estação de Conselheiro Lafaiete. Desativada para o transporte de passageiros, a Linha do Centro permanece em operação para trens de carga.
A estação e a cidade Inaugurada em 30 de dezembro de 1875, na Linha do Centro, a estação situa-se a cerca de 678 metros de altitude, no quilômetro 275 da linha. Como Juiz de Fora já existia desde o século XVIII, a chegada da ferrovia impulsionou o crescimento econômico e populacional do município, importante polo da Zona da Mata. Pela Linha do Centro circularam trens de passageiros com destino a São Paulo, que perduraram até 1998, e a Belo Horizonte, mantidos até 1980, conectando a cidade às duas principais capitais do Sudeste. Juiz de Fora chegou a reunir duas estações ferroviárias vizinhas — a da Central do Brasil e a da Estrada de Ferro Leopoldina —, o que evidenciava sua condição de importante entroncamento ferroviário. A ferrovia ajudou a consolidar o município como um dos principais centros econômicos da região entre o fim do século XIX e o início do XX.
Preservação Encerrado o transporte de passageiros, a estação foi tombada como patrimônio cultural ferroviário pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em reconhecimento ao seu valor histórico e arquitetônico. O edifício, com sua torre do relógio, mantém-se como um marco na paisagem urbana de Juiz de Fora e integra o conjunto do patrimônio ferroviário brasileiro preservado após a desativação de boa parte das linhas de passageiros no país. Esse reconhecimento insere a antiga estação entre os bens ferroviários protegidos em Minas Gerais.
Referências