O Cemitério das Almas Perdidas é um filme de terror brasileiro de 2020 dirigido por Rodrigo Aragão e estrelado por Renato Chocair, Allana Lopes, Caio Macedo e Clarissa Pinheiro.
Premissa Durante uma violenta tempestade em alto-mar, os tripulantes de uma embarcação a caminho do Novo Mundo entram em desespero e recorrem à oração. Quando toda esperança parece perdida, um misterioso homem chamado Cipriano (Renato Chocair) assume o controle da situação e afirma poder salvar a tripulação caso um sacrifício humano seja realizado. Após a execução do ritual com o auxílio do obscuro livro de São Cipriano, a tormenta cessa e os sobreviventes conseguem chegar em segurança à costa, onde encontram uma sinistra igreja cercada por um cemitério no alto de uma montanha. Séculos depois, no interior do Espírito Santo, Fred (Francisco Gaspar) e sua trupe circense itinerante percorrem pequenas cidades apresentando espetáculos de horror. Embora o show tenha caráter apenas performático, um grupo de religiosos fundamentalistas passa a acusá-los de satanismo e tenta expulsá-los da região, interpretando suas apresentações como manifestações demoníacas. Em paralelo, a narrativa retorna ao período colonial e acompanha Cipriano e seus seguidores após o massacre de uma aldeia indígena durante um ritual sagrado. Apenas a indígena Aiyra (Allana Lopes) sobrevive, tornando-se prisioneira na igreja dominada pela seita, que passa a utilizar símbolos profanos e práticas de magia negra. O único opositor ao culto é o padre franciscano Joaquim (Caio Macedo), que conquista a confiança de Aiyra enquanto tenta protegê-la e resistir à corrupção crescente ao seu redor. Com a ajuda da indígena, Joaquim busca auxílio de tribos locais para enfrentar Cipriano, mas a seita derrota os guerreiros utilizando feitiçaria. Diante da destruição iminente, o padre rouba páginas do livro maligno e sacrifica a própria vida para lançar uma maldição eterna sobre Cipriano e seus seguidores. No desfecho, passado e presente se entrelaçam, revelando a conexão entre os eventos sobrenaturais e o terror que continua assombrando a região.
Elenco e personagens
Produção
Concepção e desenvolvimento O filme é o sexto longa-metragem dirigido por Rodrigo Aragão e presta homenagem a José Mojica Marins. Com roteiro do próprio diretor e orçamento estimado em cerca de R$ 2 milhões, a obra apresenta uma narrativa dividida em três períodos históricos distintos. A trama transita entre o Brasil colonial, abordando rituais de feitiçaria, e o presente, explorando temas relacionados à intolerância religiosa, ódio de classe, questões de gênero e conflitos político-sociais. O diretor Rodrigo Aragão afirmou que não pretendia realizar um filme estritamente histórico, embora tenha recorrido a pesquisas para desenvolver os temas e a ambientação da obra. A produção foi filmada no estado do Espírito Santo e marcou o primeiro longa-metragem de sua carreira realizado quase inteiramente em estúdio.
Lançamento O filme fez sua estreia no Cinefantasy, o Festival Internacional de Cinema Fantástico, em São Paulo, em 6 de setembro de 2020. Foi selecionado para o Festival de Cinema de Vitória em novembro de 2020. Internacionalmente, estreou no 21.° Buenos Aires Rojo Sangre, um dos maiores festivais de cinema fantástico da América Latina, na Argentina, em dezembro de 2020. Posteriormente, o filme estreou com exclusividade no canal de televisão por assinatura Space, sendo exibido na abertura e no encerramento do Festival Horrorama, realizado em outubro de 2021.
Recepção
Resposta da crítica O Cemitério das Almas Perdidas foi recebido de forma positiva pela crítica especializada em seu lançamento. Para o website Omelete, Arthur Eloi classificou o filme com 3 em 5 estrelas, e escreveu que o filme "ocasionalmente se arrasta na narrativa mas surpreende pela estética de alto nível, e pela originalidade em explorar um período sombrio e controverso pelas lentes do terror. Sua trama pode nem sempre ser eficiente ou bem desenvolvida, porém há algo de especial em uma obra que simultaneamente se inspira no cinema europeu enquanto crítica seus atos históricos". Vitor Velloso, do Vertentes do Cinema, escreveu que o filme "ignora por completo qualquer seriedade em sua narrativa, para construir propriamente o udigrudi do terror contemporâneo. Infelizmente, cria paralelismos excessivos na trama, o que compromete o próprio desejo de reprodução do terror. Acaba conseguindo criar digressões nas representações que torna presente, exemplo os arquétipos exemplificados como meros objetos desse desejo endemoniado de fazer cinema". Leonardo Campos, do Plano Crítico, atribuiu ao filme 3,5 de 5 estrelas, considerando-o "Muito Bom", e fez elogios ao elenco: "Destaque para os desempenhos de Caio Macedo, Diego Garcias, Renato Chocair, Allana Lopes e Francisco Gaspar como Joaquim (missionário), Jorge (integrante do circo), Cipriano (jesuíta conjurador), Ayra (escrava subjugada) e Fred (administrador do circo), respectivamente. Eles desempenham papeis importantes nesta história fantasmagórica que traz a Igreja e o livro de São Cipriano como elementos temáticos que por sinal, já estiveram presentes em outras produções do cineasta Rodrigo Aragão, realizador com um longo e ambicioso projeto de carreira em ascensão".
Prêmios e indicações
Referências
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