O fubanguismo cultural, ou simplesmente fubanguismo, é um termo utilizado para descrever uma subcultura jovem brasileira do século XXI associada a práticas culturais consideradas cafonas, superficiais ou de baixo refinamento estético. O conceito costuma estar relacionado ao consumo ostensivo, à busca por pertencimento social e à adoção de referências estrangeiras, sobretudo norte-americanas ou europeias, reinterpretadas de maneira considerada caricatural ou de baixa qualidade. Manifesta-se em áreas como música, especialmente vertentes do pop e do sertanejo, moda, arquitetura, gastronomia e literatura. No vestuário, associa-se à preferência por roupas justas e visual maximalista (bolsas de couro em cores e texturas chamativas, sapatos de salto envernizadas, acessórios em tons de dourado, como colares e argolas e pulseiras de miçangas). O fenômeno é por vezes descrito como expressão cultural de uma elite emergente ou de novos grupos de ascensão econômica.
Etimologia e uso Fubanga" é uma gíria brasileira de origem popular, possivelmente derivada do cruzamento de "baranga" (mulher considerada feia) com "fubana" (regionalismo para meretriz). Durante décadas, o termo ele foi usado de forma depreciativa e discriminatória, para rotular mulheres "descuidadas", "malvestidas", "vulgares" e "cafonas". Segundo Borges (2024) e Othero (2025), o termo é empregado para designar práticas e manifestações culturais associadas à arquitetura considerada de mau gosto, à culinária vista como pueril e ao vestuário country vinculado a uma pseudo-elite agropecuária brasileira emergente. De acordo com esses autores, o fenômeno estaria relacionado a grupos socialmente ascendentes que, ao buscar distinção e afirmação de status, rejeitam referências culturais nacionais e optam por modelos estrangeiros, por exemplo, festas chá revelação de gênero do bebê.
Fubanga core
Fubanga core é uma estética maximalista e bem-humorada surgida no TikTok que resgata elementos do estilo "piriguete" dos anos 2000 e da moda popular brasileira, reinterpretando o chamado "cafona" como forma de empoderamento e afirmação identitária. Em oposição ao minimalismo associado à estética clean girl e ao chamado quiet luxury, a tendência valoriza visuais exuberantes, vibrantes e excessivos, marcados pelo uso de estampas de oncinha, minissaias, transparências, brilhos e acessórios chamativos. O uso do fubanga core tem sido entendido como uma forma de empoderamento feminino. Embora muitas vezes rotulada como "brega", a estética tem procurado transformar essa crítica em afirmação de identidade e liberdade. Em contraste com estilos minimalistas como o clean girl look e o quiet luxury, que valorizam discrição e simplicidade, o fubanga coreaposta no excesso, nas cores fortes, nas estampas marcantes e nos acessórios chamativos. Ao assumir o exagero de forma consciente, a tendência ressignifica padrões antes vistos como negativos e os converte em símbolos de autoconfiança e expressão pessoal. Personagens de telenovelas brasileiras dos anos 2000 são apontadas como precursoras simbólicas dessa estética, como Bebel, de Paraíso Tropical, interpretada por Camila Pitanga, e Lurdinha, de Salve Jorge, interpretada por Bruna Marquezine. Fora da ficção, subcelebridades e influenciadoras como Marcela Carrasco, Monik da Moda, Virginia Fonseca e Maxiane, participante do Big Brother Brasil 26, também foram associadas ao estilo. No cenário internacional, nomes como a cantora britânica Charli XCX, a atriz ítalo-americana Julia Fox e a empresária e influenciadora Kylie Jenner são por vezes mencionados como expoentes de estéticas semelhantes ao movimento.
Ver também Rosto de Mar-a-Lago
Referências